Sentença por IA: impacto no Direito moderno

O uso de IA na Justiça traz debates entre inovação e riscos aos princípios éticos do Direito atual. Entenda o impacto.

Sentença por IA: impacto no Direito moderno

Nos últimos anos, a inteligência artificial (IA) tem conquistado espaço em diversas áreas, incluindo o Direito, onde se apresenta como uma aliada para otimizar fluxos de trabalho. No entanto, o uso da IA na redação de sentenças judiciais gerou intenso debate. A pergunta central que emerge é: seria essa inovação um avanço inevitável ou uma ameaça direta à essência do Direito e seus princípios fundamentais?

Este tema ganhou destaque após um episódio ocorrido no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), onde uma sentença foi contestada com base na alegação de que teria sido redigida por uma IA. Apesar de o recurso ter sido negado por insuficiência probatória, o caso trouxe à tona questões éticas profundas e o impacto potencial da IA nos tribunais.

Impacto da IA no setor jurídico

A aplicação de ferramentas de IA no Direito revela vantagens como a rapidez na análise de dados e a automatização de tarefas repetitivas. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontam para uma redução de até 30% no tempo médio de tramitação de processos com o auxílio dessas tecnologias. Contudo, a substituição da análise humana por algoritmos em decisões judiciais é apontada como um limite ético e normativo por especialistas.

Princípios constitucionais em risco

Determinados princípios jurídicos previstos na Constituição Federal do Brasil e no Código de Processo Civil reforçam a exclusividade do papel humano no processo decisório. Um exemplo claro é o princípio da fundamentação das decisões judiciais (art. 93, IX, CF/88), que exige que o magistrado explique sua decisão com base em um raciocínio lógico e humano. Sentenças elaboradas por IA poderiam violar essa regra, já que algoritmos, por mais avançados, não operam sob a perspectiva de empatia e valores.

Além disso, o dever de imparcialidade do juiz (art. 95, CF/88) também está em questão. A imparcialidade toma por base experiências e julgamentos humanos, algo que a máquina não é capaz de reproduzir com fidelidade. Ademais, o uso de IA pode expor o sistema jurídico a vieses algorítmicos, discriminando certos grupos devido a falhas no treinamento.

Vantagens versus riscos

Embora defensores da tecnologia argumentem que a IA é apenas uma ferramenta, e não um substituto do magistrado, a utilização para sentenças judiciais específicas pode criar incertezas jurídicas. Entre os riscos apontados estão:

  • Inconsistência nas decisões: Algoritmos podem apresentar falhas ou vieses com base em dados históricos enviesados.
  • Vácuo de responsabilidade: Quem responderia por sentenças geradas de forma equivocada pela IA?
  • Fragilização do sistema judicial: A confiança no Judiciário poderia sofrer abalos, especialmente se decisões forem automatizadas sem transparência.

Um estudo conduzido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2022 revelou que enquanto 76% dos magistrados veem a IA positivamente para auxiliar em atividades como pesquisa de jurisprudência, apenas 15% apoiariam seu uso para redação de sentenças.

Equilíbrio entre inovação e tradição

Diante desse cenário, o desafio para a comunidade jurídica não é a rejeição absoluta da IA, mas, sim, a definição de limites claros para seu uso. Hans Kelsen, um dos maiores teóricos do Direito, já defendia que a disciplina é uma construção eminentemente humana, pautada por valores éticos. Portanto, a elaboração de sentenças exige não apenas conhecimento técnico, mas também sensibilidade e interpretação, aspectos insubstituíveis por máquinas.

Assim, cabe à sociedade e às instituições equilibrar as vantagens da tecnologia com as garantias constitucionais. A inovação só deve ser viabilizada quando estiver em harmonia com os princípios que sustentam o sistema jurídico, promovendo agilidade sem comprometer a justiça e a equidade.

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Redação jornalística da Elias & Cury Advogados Associados.

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